sábado, 27 de junho de 2009

Emo average: 95%

Quem me vê agora, um sujeito peludo, bruto, jornalista esportivo, que cospe no chão e passa o pé em cima, não imagina como foi minha infância.

Porque eu tava pensando e levei um susto de tanto pensar. Quando eu tinha 7 anos, sonhei com uma menina e acordei com dor no peito. É sério. No meio da madrugada, no andar superior do beliche de onde um dia eu desabei, eu acordei com dor no peito porque tinha sonhado com uma menina. Aí, claro, concluí que estava apaixonado. E assim fiquei. Por anos.

Repito: eu tinha 7 anos.

Um dia, o Sérgio, meu amigo desde sabe-se lá quando, quase ocasionou um suicídio infantil (crianças não se suicidam, né? Bah, isso vale um post. Talvez elas se suicidem, mas ninguém acredite que seja suicídio. Fecha parênteses. Foi!) Era uma festa junina na gloriosa Escola Estadual de Primeiro Grau Vasco da Gama. Estava eu lá, todo prosa, quando o Sérgio chega e me diz que a menina queria dançar com o Roberto, meu rival, meu adversário, meu inimigo!

E o que aconteceu? O pequeno Alexandre desabou em choro.

Mas não um chorinho minguado. Nada disso. Foi um berreiro. Ao ponto de todo o colégio, menos a menina, ir me consolar. Até o Roberto. E de pensar que era mentira do Sérgio...

Sigamos.

Lá pelos meu 11 anos, estava passando férias em Garibaldi, centro político-cultural da Serra Gaúcha. Não sei por que cargas d'água eu fui parar num boteco com o tio Rudi (de Rudimar, que depois se separou da tia Suzi, de Suzana). Mas era boteco mesmo. Imagina uns 15 garibaldenses ouvindo música sertaneja, com o carro estacionado na frente do bar, todos orgulhosamente barrigudos, olhando as meninas que passavam com o olhar tristonho de quem está fadada a casar com um deles, paciência.

Nem preciso dizer que aquilo era um tédio, né?

Rá! Mas eis que surgiu uma esperança de diversão. Uma jukebox. Catei umas moedas, fui lá, revirei as opções e escolhi a trilha.

Tchanã: a música do Ghost. Sim, sim, Unchained Melody. Imagina a cena, amigo. Aqueles gringos narigudos todos se olhando com um "ooooooooooooooooh, my love, my darling" de fundo. O tio Rudi até hoje pensa que eu sou meio afrescalhado.

Uns anos depois, cismei que tinha encontrado a mulher da minha vida. O problema é que ela não pensava o mesmo. Tentei de tudo até chegar ao ponto máximo de desespero: rosas.

Mas o grave não é isso. O grave é o bilhete, com o Soneto da Fidelidade, do Vinícius, escrito.

Raciocina comigo: a menina não quer nada com o sujeito e o sujeito manda flores dizendo que vai amá-la por toda a vida? Qual o objetivo? Convencê-la a mudar de país?

Que merda é essa, jovem Alexandre?

E é por essas e outras que eu não posso reclamar da História, essa entidade que decide como esparramar os anos em nossas vidas. Se esses emos, por exemplo, tivessem virado moda uns 15 anos antes, eu seria um deles.

Meu emo average é de uns 95%. A idade que me salva. Ufa!

4 comentários:

Vanessa disse...

adorei isso

carmel disse...

eu retiro o que eu disse um dia desses. imagina só: daqui a uns anos tu vai voltar pras cavernas desse jeito!

Saulo disse...

Essa das flores tu contou numa aula de Sociologia.

(breve comentário apenas pra piorar as coisas.)

Alexandre Alliatti disse...

Contei?
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